A “cegueira” antropológica e o cristianismo-protestante de extrema-direita no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18800/anthropologica.202601.001

Palavras-chave:

Antropologia brasileira, Política-religião, Evangélicos, Ultra-conservadorismo, Pluripentecostalismo político, Brasil

Resumo

A virada ultraconservadora do campo religioso (evangélico) no Brasil, desembocando na eleição de um presidente de extrema-direita, em 2018, introduziu uma perplexidade entre especialistas da religião, em especial, os da antropologia brasileira. Argumentamos, neste artigo, que apesar da reconhecida qualidade acadêmica brasileira, instaurou-se uma “cegueira” epistemológica que impediu o diagnóstico correto do fenômeno no país. Utilizando como método a análise de publicações em dezessete revistas acadêmicas publicadas no Brasil e dedicadas à interface entre antropologia da religião e política entre os anos de 2001 e 2019, avançamos que em parte isto se deve a um problema metodológico-conceitual. Isto instaurou duas posições interpretativas predominantes sobre o campo evangélico: a “ultrarrefratária” e a “ultrarrelativizadora”. Concluímos que o campo da antropologia da religião brasileira criou uma barreira metodológica impedindo a realização de conexões para um diagnóstico consistente das inter-relações entre religião, política e cultura. Embora o cruzamento dessas categorias esteja presente na produção acadêmica (conforme os achados de nossa pesquisa), os percursos analíticos que interpretam tais dados como convergentes para uma aproximação com a extrema-direita não foram amplamente desenvolvidos. Em síntese, investigaram-se as interfaces entre os temas referidos, mas sem a articulação necessária entre eles, configurando o que aqui denominamos de “cegueira antropológica”.

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Publicado

2026-07-15

Como Citar

Reesink, M. L., & Amaral Braz, P. L. (2026). A “cegueira” antropológica e o cristianismo-protestante de extrema-direita no Brasil. Anthropologica, 44(56), 11–41. https://doi.org/10.18800/anthropologica.202601.001

Edição

Seção

DOSSIÊ: Religião e espiritualidade no mundo moderno